Reforma Tributária entra no radar da alta liderança empresarial e acende debate sobre competitividade no Nordeste

Quando a alta liderança das grandes corporações se reúne fora dos escritórios, as conversas de bastidores costumam ditar o ritmo da economia para os próximos semestres. Foi exatamente essa a tônica do 11º Torneio do Porco, realizado no Terras de São José Golfe Clube, em Itu (SP), que contou com o apoio da Valestrá, ecossistema empresarial com atuação nacional. O encontro reuniu um grupo de CEOs, CFOs e investidores para um momento de networking.

Longe das agendas engessadas da Faria Lima, o clima não era apenas de descontração, mas de atenção redobrada. As rodas de conversa foram dominadas pelos impactos da Reforma Tributária, o custo de capital ainda restritivo e a urgência por eficiência financeira. A ordem do dia nas grandes companhias do Sudeste é clara: blindar a operação agora, para não destruir a margem de lucro na transição das regras tributárias.

E é exatamente esse senso de urgência que acende um farol vermelho para o Nordeste.

A região atravessa um ciclo de expansão significativo em polos industriais, infraestrutura e agronegócio. No entanto, o crescimento da receita sem o acompanhamento de uma governança financeira rígida cobra um preço altíssimo. Para as companhias nordestinas em fase de alavancagem, a forma como os contratos são revisados e a estrutura fiscal é planejada hoje ditará quem terá fôlego para competir por capital amanhã.

Para Keila Biazon, presidente da Valestrá, a leitura de cenário exige antecipação imediata. “O mercado não tolera amadorismo. A diferença é que as grandes companhias do Sudeste já estão reestruturando suas operações fiscais e financeiras para absorver a transição tributária sem perder rentabilidade. O empresário do Nordeste, muitas vezes à frente de negócios familiares em forte expansão, precisa aplicar a mesma velocidade e rigor corporativo. Quem esperar a tempestade chegar para arrumar a casa, vai perder margem e competitividade nacional”, alerta.

Para traduzir esse nível de exigência e equiparar a preparação do empresariado regional aos padrões mais rígidos de governança, a Valestrá levará esse debate diretamente ao coração industrial de Pernambuco. No próximo dia 30 de setembro, o ecossistema empresarial promove uma agenda estratégica em Goiana, reunindo lideranças locais para uma imersão profunda sobre como a Reforma Tributária vai impactar o caixa e a competitividade do setor produtivo do Nordeste.

Para Cristiane Cavalcanti, diretora da Valestrá em Recife, o momento não permite que a indústria local fique na defensiva. “O setor produtivo pernambucano tem uma força tratora impressionante, mas faturamento bruto não é sinônimo de caixa protegido. Nosso objetivo em Goiana é mostrar que a Reforma Tributária não é uma pauta contábil para o futuro; é um risco real de perda de rentabilidade hoje. Quem não auditar sua operação agora para destravar liquidez, vai acabar financiando a ineficiência do mercado”, alerta a diretora.

O potencial de atração de investimentos na região é inegável, mas o capital tornou-se seletivo. Fundos e parceiros de negócios exigem transparência, compliance e estruturas operacionais à prova de sustos.

A inteligência de mercado capturada entre uma tacada e outra no interior paulista não fica restrita ao Sudeste; ela pauta o movimento da Valestrá em âmbito nacional. Afinal, a proteção de resultados e a organização da casa são agendas inadiáveis, seja no gramado do golfe, no agronegócio ou no chão de fábrica nordestino.

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