Óleo & gás: Operadores independentes impactam vida de milhares no Nordeste

O ano era 2016 e eu, então Presidente da ABPIP (Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás), ao receber um telefonema da diretora executiva de E&P da Petrobras à época, Solange Guedes, com um convite para uma visita ao seu gabinete, fui um dos primeiros a ser informados de que a Petrobras iria lançar o chamado “Projeto Topázio”. Um “piloto” dentro do recém-lançado Programa de Gestão de Portfólio da companhia, este projeto previa a venda de ativos maduros de E&P “onshore”.

Foi uma conquista para o setor e para a ABPIP, que tinha a abertura do setor como uma bandeira histórica. A partir daí um novo momento surgiu para os players independentes ou “junior oils”, que se tornaram peças-chave no aumento substancial de investimento e, consequentemente, no incremento de produção nessas concessões. Mas, para além da revitalização de campos, as empresas independentes impactaram também a vida de milhares de pessoas que vivem no entorno dos polos adquiridos.

Desde então o projeto se ampliou e passou a incluir praticamente todos os campos maduros do “onshore” do Nordeste e Espírito Santo, além de alguns campos “offshore”. Diversas operadoras independentes passaram a atuar no País, desde empresas consolidadas a startups, fazendo a aquisição desses campos, assumindo a sua operação e iniciando um ciclo robusto e sustentável de investimentos, incrementos de produção e melhorias de integridade, com mais oportunidades de ampliar os negócios e possibilidades referentes às cadeias produtivas locais. Todo esse movimento nos direciona a um mercado mais aberto, não somente para as empresas, mas promovendo crescimento e desenvolvimento econômico para a sociedade brasileira. Algumas dessas empresas fizeram IPOs e Follow Ons, criando ainda alternativas de investimentos e captação via mercado de capitais.

Segundo estudo elaborado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de 124 campos maduros de petróleo e gás, vendidos pela Petrobras desde 2019, tem previsão de crescimento de 122% em até três anos. E estimativa de investimentos de R$ 40 bilhões até 2029, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), que serão essenciais para aumentar a produção e implementar tecnologias focadas na extensão de vida útil dos campos.

Há de se destacar que os campos maduros terrestres no Brasil se situam, em sua maioria, em municípios do interior do Nordeste, com baixíssimos índices de desenvolvimento humano, além de uma infraestrutura precária. Em geral, a principal atividade econômica da região são as operações dos campos de petróleo e gás natural, e o pagamento de tributos e royalties aos municípios impactam significativamente na diminuição da pobreza dessas regiões. Para se ter uma ideia, somando as operadoras independentes, estima-se R$ 1 bilhão em pagamentos de royalties para 2022, segundo a ABPIP.

Essas empresas também são geradoras de emprego e renda, contratando, em sua maioria, profissionais locais, e capacitando com cursos de formação de mão de obra. No total, o setor gerou 315 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com dados da ABPIP.

Portanto, pode-se constatar que a indústria do petróleo tem papel fundamental no que diz respeito a uma atuação responsável nos aspectos ambiental, de governança e sobretudo no social. Digo que o S, do ESG, deve ser objeto de um olhar especial nas nossas operações no interior do Nordeste, pois devemos estar atentos às peculiaridades de cada localidade onde atuamos e o momento atual de transformação em que vivemos. A indústria de O&G tem um papel fundamental no desenvolvimento econômico dessas regiões. De fato, o país tem uma dívida histórica com esses municípios, que durante décadas foram os principais produtores e capturaram muito pouco da riqueza e capacidades geradas a partir dessa produção.

As empresas estão cada vez mais buscando avanços nesse sentido, com implementação de projetos socioambientais nas regiões no entorno das operações em que atuam, beneficiando milhares de pessoas para a construção de um futuro melhor. As dezenas de projetos sociais implementados levam educação, esporte, cultura e consciência ambiental a jovens e crianças.

Mais do que ampliar a produção de petróleo e gás natural em campos terrestres, impulsionamos o progresso do País, em especial, a região Nordeste.

Sabemos que temos um caminho longo a percorrer. Porém, em comunidade e com a participação ativa da sociedade, vamos ampliar os benefícios da indústria para todos.

*Marcelo Magalhães é CEO da PetroReconcavo

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