“STF só não lembra de presos pobres esquecidos”

“Confirmando-se a tendência do Supremo de livrar da tranca os condenados em duas instâncias, ficará ainda mais gritante o absurdo a que estão submetidos os brasileiros muito pretos, muito pardos e muito pobres que mofam nos fundões dos presídios sem ter passado por nenhuma instância. Pelas contas do Conselho Nacional de Justiça, há no Brasil cerca de 844 mil presos. Desse total, 40% não dispõem de sentença. Estamos falando de algo como 340 mil pessoas que dormem na cadeia sem um veredicto condenatório. Esses encarcerados sem Supremo são chamados de ‘presos provisórios’. É gente que não tem dinheiro para pagar um advogado. (…) É nesse contexto que o Supremo está prestes a restaurar o ambiente em que a punição de condenados graúdos será transferida para um ponto qualquer no infinito, onde reluz o pus da impunidade”, diz o jornalista Josias de Souza em blog no UOL. Leia aqui a íntegra de “STF só não lembra de presos pobres e esquecidos”.

 

 

“Além de sempre ter tratado o STF e seus ministros com todo respeito, tenho a consciência tranquila em relação aos meus atos, tanto é que não tenho nenhum problema em ir a locais públicos, inclusive estádios de futebol” respondeu Sérgio Moro à jornalista Bela Megale, de O Globo, ao ser indagado na terça (15) sobre as críticas feitas por Gilmar Mendes contra a ele no “Conversa com Bial” da TV Globo. No programa onde também defendeu Lula afirmando que o ex-presidente tem direito a um “julgamento justo”, o ministro do Supremo afirmou que Moro “chegou quase como um primeiro ministro” e “virou esse personagem que o Bolsonaro leva para o Jogo do Flamengo”. “Antes, o Bolsonaro precisava dele, agora ele passa a precisar do Bolsonaro”. Moro fez questão de nem citar o nome de Gilmar, mas conforme a jornalista, seu recado é claro, já que o ministro é alvo de de protestos quando se arrisca a aparecer em locais públicos. Por sinal, ao contrário de Moro, geralmente bem recebido pela população.

 

 

Ao suspender no ano passado uma decisão de Marco Aurélio Mello que mandou soltar todos os presos em segunda instância, o presidente do Supremo Dias Toffoli usou dados do CNJ dizendo haver o risco de a medida colocar nas ruas 169 mil presos. Na terça (16), na véspera do julgamento do STF, o CNJ diz que só 4.895 presos seriam beneficiados. Ao falar dos números do CNJ que mudaram radicalmente diante da opinião pública contra a volta da impunidade no Brasil, o site O Antagonista divulgou vídeo (veja aqui) do ministro Luís Roberto Barroso explicando quem, de fato, será beneficiado: “Não tenho essa contabilidade. No Brasil há um certo hábito de se chutarem estatísticas para um lado e para outro. Acha-se muito sem ter procurado. Eu acho que vai haver um impacto negativo grave. Não saberia quantificar. Os que são criminosos violentos, em muitos casos se justificará a manutenção da prisão preventiva. Portanto, no fundo no fundo, o que você vai favorecer são os criminosos de colarinho branco e os corruptos”.

 

 

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