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Seleção em dose dupla. Não deixes para amanhã…

A síntese dos Números Redondos, por João Nuno Coelho.

© Rodrigo Antunes/EPA

Este é um momento importante da fase de qualificação para o Euro2020 e se corresse tudo na perfeição nesta jornada dupla (Luxemburgo e Ucrânia), Portugal até podia garantir já o apuramento. Para isso tem que vencer os dois jogos e esperar que a Sérvia tropece (não ganhe) na Lituânia.

De qualquer forma, independentemente dos resultados da Sérvia até ao fim do apuramento à seleção nacional basta ganhar os nove pontos relativos aos dois jogos com o Luxemburgo e à receção à Lituânia para ter lugar garantido na fase final do Europeu. Para o campeão em título é uma questão de obrigação…

PORTUGAL – LUXEMBURGO (Alvalade, sexta-feira, 19h45)

Olhando para os números que provam as diferenças abismais entre as duas equipas quase se podia dizer que nem valia a pena fazer o jogo. Mas esse é o encanto maior do futebol: ao contrário de outros desportos, os pontos (golos) são tão raros que muitas vezes os underdogs conseguem fazer surpresas. Nem que seja colocando os famosos autocarros em frente à baliza. E esse é, claramente, um direito que assiste ao mais fraco.

Vejamos: em termos de valor estimado (pelo site Transfermarkt) dos jogadores convocados: Portugal atinge quase os 750 milhões de euros, enquanto o Luxemburgo não passa dos 13. Apenas e só 57 vezes mais. Mal comparado, é um valor semelhante ao plantel do Tondela (já o de Portugal está perto do plantel do Chelsea).

Analisando um pouco mais, descobre-se que 17 dos 24 convocados portugueses valem sozinhos mais do que o plantel todo do Luxemburgo. No que diz respeito ao Ranking FIFA, os dados andam lá perto: Portugal é 5º, o Luxemburgo ocupa a posição 93.

O Luxemburgo apesar de ser a única seleção que disputou todas as fases de apuramentos para o Campeonato do Mundo (!), 20, nunca conseguiu chegar a uma fase final de uma grande competição. No século XXI, Portugal esteve em todas e até venceu dois troféus nos últimos três anos…

No histórico entre as duas equipas Portugal venceu os últimos oito jogos – todos os do século XXI, com saldo de 29-1 em golos.

Note-se que no confronto total, em 15 partidas, Portugal venceu 13, empatou uma (num particular em 1991) e perdeu uma (em 1962, no apuramento para o Mundial 62, por 4-2, fora, na estreia de Eusébio, que se estreou também a marcar). Nessa altura a seleção luxemburguesa era bem mais competitiva (ainda havia muito amadorismo no futebol europeu) e esteve perto do apuramento para a fase final (meias-finais) do Europeu de 1964: eliminou a Holanda nos oitavos e apenas perdeu no jogo de desempate com a Dinamarca nos quartos-de-final.

A partir dos anos 1970 o futebol do Luxemburgo caiu a pique e os números da seleção são assustadores: 245 jogos nos apuramentos para mundiais e europeus, com um total de 212 derrotas e 13 vitórias.

De qualquer maneira, há que registar melhorias sensíveis nos últimos anos. Sete dessas 13 vitórias (a maioria, portanto), aconteceram nos últimos sete apuramentos para mundiais e europeus, desde 2008 até agora. Ou seja, descontando essas sete vitórias, a de 1962 contra Portugal e a de 1964 contra a Holanda, o Luxemburgo venceu apenas quatro jogos de competições oficiais entre 1964 e 2008 (em 44 anos). Sendo que três desses triunfos aconteceram no apuramento para o Euro96.

Nomeadamente os últimos três anos foram marcados por algumas proezas importantes da equipa nacional luxemburguesa; por exemplo em 2017 o Luxemburgo foi empatar a zero com a França em Toulouse (no apuramento para o Mundial-18, ganho pela França) e venceu em casa a Hungria num amigável.

E ainda mais recentemente, o Luxemburgo de 2018 e 2019 venceu seis jogos em 17 (incluindo particulares), sendo que apenas foi goleado uma vez: 0-4 com a Áustria. Na qualificação atual, apenas perdeu por 1-0 na Ucrânia e na receção aos ucranianos foi derrotada também pela margem mínima (1-2, depois de estar a ganhar, sofrendo o segundo golo aos 90+3, marcado na própria baliza…).

O que mudou para que os resultados melhorassem significativamente? O treinador não foi, já que Luc Holrtz está no cargo desde 2010 (e desde 2008 nos sub21). Acima de tudo, o Luxemburgo passou a ter melhores jogadores, que atuam na sua maioria fora da Liga Luxemburguesa. Em 2005, quando Portugal venceu por 6-0, havia apenas três jogadores noutras ligas, agora são 15 em 24, sendo que do onze mais utilizado nove jogam fora.

Destaque para Gerson Rodrigues (D. Kiev), Olivier Thill (UFA, Liga da Rússia), Chanot (NYC FC, uma boa equipa da MLS), Laurent Jans (Paderborn, Bundesliga). Há também vários casos de futebolistas que jogam na segunda divisão da Bélgica, França ou Alemanha. E entre os convocados para o jogo contra Portugal falta um dos melhores, Martins Pereira, do Young Boys, que está lesionado.

Mesmo com esta transformação positiva da seleção luxemburguesa, Portugal tem tudo para ganhar em Alvalade e até pode golear. Claro que ter Cristiano Ronaldo deve picar o ponto e o madeirense está especialmente interessado em ajudar até porque parece mais possível do que nunca cumprir o objetivo de ser melhor goleador de sempre em termos de seleções: faltam 16 golos para igualar o iraniano Ali Daei (109 golos) e são jogos como este que podem fazer a diferença.

Do lado português, só falta William Carvalho para estarem os melhores, mas provavelmente neste jogo a prioridade vai ser dada aos centrocampistas mais ofensivos, com Rúben Neves, Bruno Fernandes e Pizzi.

PROBALIDADES NR: 88% Portugal / 10 empate / 2% Luxemburgo

UCRÂNIA – PORTUGAL (Olímpico de Kiev, segunda, 19.45)

Já o jogo de segunda-feira em Kiev é toda uma outra história. A Ucrânia tem um dos melhores registos recentes entre as seleções europeias: em 2018 e 2019 apenas uma derrota em 16 jogos (frente à Eslováquia), sendo que em jogos de competições oficiais venceu sete, empatou um e perdeu um. O tal jogo com a Eslováquia na Liga das Nações B, quando já tinha assegurado o primeiro lugar do seu grupo.

A Ucrânia lidera isolada o grupo de apuramento para o Europeu, com quatro vitórias e um empate (a zero, em Portugal) e até já goleou a Sérvia (5-0 em Kiev).

A chegada de Shevchenko ao comando técnico da seleção em 2016 foi importante: só em partidas de competições oficiais são 12 vitórias, três empates e quatro derrotas.

Claro que nada que se possa comparar com o desempenho de Fernando Santos: 42 jogos de competições oficiais: 28 vitórias, a que se juntam 12 empates e 2 derrotas. Uns fabulosos 67% de vitórias, mas acima de tudo menos de 5% de derrotas, ao nível dos melhores selecionadores de sempre… no mundo do futebol.

No entanto, não será exagero nenhum dizer que a deslocação a Kiev é de enorme risco, pelo que tem sido o desempenho da seleção ucraniana, finalmente de regresso ao nível daquela que tinha Shevchenko e Rebrov como grandes craques e que conseguiu a sua única presença numa fase final de um Mundial, o de 2006, atingindo os quartos-de-final (perdeu com a futura campeã Itália).

A atual força da Ucrânia assenta muito nos jogadores do Shaktar Donetzk e Dínamo de Kiev que dominam as convocatórias, criando um bloco coeso. Excetuando as potências com ligas muito fortes como a Inglaterra, Alemanha, Itália ou Espanha, a Ucrânia será a única seleção de qualidade que assente em jogadores que atuam na liga interna.

Entre os 24 convocados cerca de dois terços são da liga ucraniana, com destaque para os nove do Shaktar. No onze que jogou recentemente frente à Lituânia estavam seis jogadores da equipa de Luís Castro, incluindo quatro dos cinco defesas. Isto confere naturalmente consistência e coesão à equipa, que nos cinco jogos da fase de apuramento marcou 11 golos e apenas sofreu um (marcado pelo Luxemburgo), tendo por exemplo empatado a zero em Portugal.

Além disso este bloco é completado por jogadores de qualidade que atuam fora do seu país, como Zinchenko (Manchester City), Yarmolenko (West Ham) ou Malinovsky (Atalanta).

É de esperar que em Kiev, a equipa ucraniana arrisque bem mais do que fez em Lisboa, onde foi muito contida, até porque conta com futebolistas que atravessam bom período goleador nos seus clubes. Casos de Junior Morais (9 golos em 10 jogos pelo Shaktar na liga ucraniana), Marlos (6-10, Shaktar), Yaremchuk (5-7 na liga, na ligabelga, no Gent), Tsygankov (4-10, Dynamo Kiev) e Yarmolenko (3-7, na liga inglesa, no West

Ham). Acrescente-se que Tsygankov (3 golos) é o melhor marcador ucraniano na fase de apuramento, seguindo de Konoplyanka e Yaremchuk (dois cada um).

PROBABILIDADES NR: 30% Ucrânia /30% empate /40% Portugal

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