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Quem é Nestor Forster, indicado embaixador nos EUA por Bolsonaro – Gazeta do Povo

Com a desistência oficial de Eduardo Bolsonaro, o diplomata Nestor Forster foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. “É um quadro exemplar, uma pessoa ativa, tem tudo para dar certo”, disse o presidente, ainda em Tóquio, antes de viajar para a China. O nome de Forster agora será submetido à aprovação do Senado.

Nestor Forster era cotado para a embaixada nos EUA desde o começo do mandato de Bolsonaro. No primeiro semestre, quando o diplomata Sérgio Amaral foi destituído do cargo, cogitou-se imediatamente que Forster o substituiria.

Os rumores sobre sua indicação aumentaram quando, em junho, ele foi promovido a ministro de primeira classe e se tornou o encarregado de negócios da embaixada do Brasil em Washington  espécie de embaixador interino. Mas, em julho, Eduardo Bolsonaro começou a ser cogitado para o cargo, e o nome de Forster passou a ser considerado uma alternativa menos provável. Com a desistência formal do filho do presidente, o diplomata voltou a ser o favorito.

Forster é casado com Maria Theresa Diniz Forster, que também é diplomata. Ele tem duas filhas e dois netos. Conheça outras características do provável futuro embaixador do Brasil em Washington.

Histórico como diplomata e articulações recentes

Nestor Forster é diplomata do Itamaraty desde 1985, mas só em junho de 2019 foi promovido a ministro de primeira classe. Desde 1992, ocupou vários cargos diferentes nos EUA. Em Washigton, foi chefe do setor de política comercial entre 1992 e 1995 e chefe do setor financeiro entre 2003 e 2006. Comandou os consulados de Nova York (2016 a 2017) e de Hartford (2009 a 2013), ambos nos Estados Unidos. Entre janeiro de 2017 e junho de 2019, ocupou a embaixada do Brasil em Washington como ministro conselheiro. Desde então, com a saída de Sérgio Amaral, Forster passou a ser uma espécie de embaixador interino.

Por conta das atribuições do cargo encarregado de Negócios na representação do Brasil em Washington, ele foi o responsável por prestar esclarecimentos nos EUA sobre a recente polêmica das queimadas na Amazônia. Nas vésperas do discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, deu entrevistas a meios estrangeiros para tirar dúvidas sobre a questão.

Segundo a revista Época, foi Forster quem articulou com a Heritage Foundation, em Washington, uma palestra do ministro Ernesto Araújo na instituição. Além disso, ele também foi o responsável pelo encontro de Bolsonaro com Donald Trump em março deste ano, na Casa Branca.

Passado político e relação com Gilmar Mendes

Forster trabalhou na Casa Civil no governo Fernando Collor e já foi chefe de gabinete de Gilmar Mendes, entre março de 2001 e junho de 2002, quando o atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) era o advogado-geral da União, durante o governo FHC.

Os dois trabalharam juntos também no governo Collor. Forster foi oficial de gabinete da subsecretaria-geral da Presidência da República entre 1990 e 1992, na mesma época em que Mendes era adjunto do mesmo órgão do governo.

Os dois são coautores do Manual de Redação da Presidência da República, um guia com recomendações sobre o uso da linguagem no poder público brasileiro. O livro foi publicado pela primeira vez em 1991 e está em sua terceira edição.

Forster foi encarregado especialmente da primeira parte do manual, que trata das comunicações oficiais. Gilmar Mendes presidiu a comissão que elaborou o guia. O atual ministro do STF considera Forster inteligente, disciplinado e um grande quadro do serviço público brasileiro.

Proximidade com Olavo de Carvalho

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, conheceu o filósofo Olavo de Carvalho pessoalmente por intermédio de Forster. À época da indicação de Araújo para assumir o ministério, sua afinidade de ideias com Olavo foi citada por diversos meios como fator determinante para que ele fosse escolhido para liderar o Itamaraty. Forster, por sua vez, teria sido apresentado a Olavo pelo jornalista Paulo Francis.

Em agosto, Olavo recebeu a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. Forster discursou na cerimônia de entrega da honraria, em Washington. Chamou o filósofo de querido amigo e disse que ele preenche com sobra os critérios fixados no regulamento da Ordem de Rio Branco, de serviços ou méritos excepcionais ao Brasil.

Destacou a contribuição de Olavo de Carvalho à filosofia e à cultura brasileira e sua generosidade de caráter e bondade absolutamente extraordinárias, afirmando que Olavo está sempre pronto a ajudar o próximo, mesmo com sacrifício pessoal. Para ele, o professor venceu a ditadura esquerdista que dominava a vida intelectual brasileira até poucos anos atrás, fingindo possuir o monopólio do que poderia ser pensado.

A admiração por Olavo de Carvalho vem de longa data. Em 2001, quando a revista Época deixou de publicar a coluna de Olavo e, no lugar, colocou um texto da historiadora Maria Aparecida Aquino, Nestor Forster enviou uma carta à publicação criticando a decisão.

Assíduo leitor dessa revista, fiquei perplexo ao constatar, na edição desta semana, que a coluna do prof. Olavo de Carvalho havia sido ocupada por ilustre desconhecida, que insulta o leitor com um amontoado de absurdos sobre os EUA e o terrorismo. A luz intensa do mais original intelectual brasileiro foi tomada pelas trevas de uma propagandista vulgar. Ou retorna o prof. Olavo de Carvalho, ou Época vai perder leitores. E inteligência, afirmou.

Catolicismo tradicionalista

Forster é católico e parece ter interesse especial por tradições da Igreja que se tornaram menos correntes entre os fiéis depois dos anos 1960. Ele traduziu para o português o livro “Tesouro da Tradição: Guia da Missa Tridentina”, de Lisa Bergman.

A missa tridentina, tema de que trata o livro, é a celebração da missa feita de acordo com prescrições da Igreja que vigoraram entre 1570 e 1962, antes do Concílio Vaticano II. Entre outras diferenças das celebrações atuais, envolve o uso obrigatório do latim.

Além disso, Nestor Forster pratica canto gregoriano. Até o fim da Idade Média, só esse tipo de canto podia ser usado nas celebrações da Igreja Católica. O canto gregoriano se caracteriza por ter uma única linha melódica, em contraste com as músicas polifônicas, em que várias linhas melódicas se harmonizam.

O diplomata defende os valores cristãos de forma pública e aberta. A sala de Forster tem um cartaz com os dizeres make unborn babies great again (torne os bebês não nascidos importantes de novo), paráfrase do slogan de campanha de Donald Trump à presidência dos EUA, make America great again (torne a América grande de novo).

Forster está sendo uma figura importante nas negociações para a formação da Aliança Internacional Contra a Intolerância Religiosa, organizada pelos governos de Estados Unidos, Brasil e outras nações. Em um discurso recente na ONU, para defender a liberdade religiosa, citou uma frase de Santo Agostinho: Fizeste-nos para ti, Senhor, e nosso coração está inquieto até que descanse em Ti. O diplomata disse que o fanatismo e a intolerância tornam difícil para muitas pessoas encontrar o descanso para os corações pregado por Santo Agostinho.

Amigo dos Engenheiros do Hawaii e apelido de Frankenstein

Quando jovem, em Porto Alegre, Forster tocava violão em um grupo de chorinho com os amigos Humberto Gessinger e Ricardo Horn, que se tornariam integrantes da banda Engenheiros do Hawaii.

No livro “Infinita Highway: uma carona com os Engenheiros do Hawaii”, Forster conta alguns episódios de sua amizade com Gessinger. “Ficamos amigos de verdade na colônia de férias que os padres [do Colégio Anchieta] organizavam no seminário dos jesuítas em São Salvador do Sul () Ali passamos, 36 guris, três verões inesquecíveis, logo após o final das aulas, no início de dezembro. Tínhamos então de 11 a 13 anos, e o Beto [Gessinger] deu a ideia de montarmos uma apresentação em que eu contasse algumas histórias de cunho biográfico, relata Forster.

Segundo o diplomata, Gessinger “foi como que o produtor e diretor” das suas encenações. Ele diz que os colegas o apelidaram de Frankenstein, mas que isso não o incomodou.

Na época eu era muito magro e usava aparelho dentário, o que levou alguns colegas mais velhos a me chamarem de Frankenstein. Em vez de ficar chateado com isso (ou processar a todos e ao colégio por “discriminação”, como é moda hoje), fizemos um monólogo, em que eu narrava o meu nascimento em uma sexta-feira 13, com chuvas e trovoadas. E passado esse introito, eu contava algumas aventuras de guri e piadas inocentes sobre futebol e namoricos.

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