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O que pensam os eleitores anti-Macri e anti-Kirchner, que podem decidir as eleições argentinas – G1

Garín, periferia industrial da grande Buenos Aires, a 44 km da capital da Argentina, é um retrato fiel da polarização política na província que concentra 41% dos votos do país e que, por isso, definirá neste domingo (27) quem será o presidente. Nesta localidade de classe baixa e média-baixa, com cerca de 100 mil habitantes, o asfalto chegou há poucos anos e, em algumas áreas, ainda nem chegou. A maioria das casas foi erguida pelos seus próprios donos, muitos oriundos de províncias do norte empobrecido do país que migraram em busca de trabalho.

Aqui, os eleitores do candidato da ex-presidente Cristina Kirchner,Alberto Fernández, convivem com os do presidente Mauricio Macri e com uma categoria surgida a partir de abril de 2018, quando a crise econômica começou a fazer estragos, invertendo a tendência até então de reeleição de Macri: os desencantados, aqueles que elegeram Macri há quatro anos, mas que se decepcionaram com o presidente.

No bairro ainda sem asfalto de San Javier, o operário de manutenção industrial Mauricio Witschi (47) é um desencantado com Macri, mas também é anti-Cristina Kirchner. Há quatro anos, votou no atual presidente, porém agora vai escolher o ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna (2002-2006), que tirou o país da maior crise anterior a esta.

“Trabalho por minha conta e sofri muito neste período Macri. O trabalho diminuiu em 60% e perdi muito poder aquisitivo. Voto em Lavagna porque não quero nem Cristina, nem Macri”, conta Mauricio. “Mas num segundo turno, se houver, prefiro Macri. Eu vi o desastre do governo anterior, com uma corrupção que destruiu o país”, recorda.

Mauricio afirma ter se decepcionado com a gestão econômica do presidente liberal, mas em outros aspectos, o governo Macri o encantou, como a liberdade de imprensa, as obras de infraestrutura e a transparência. Quando erraram, admitiram e corrigiram. Não impuseram nada. Não foram autoritários como antes”, elogia.

Em 2011, Mauricio foi rendido por dois adolescentes armados que invadiram a sua casa. Um dos assaltantes disparou, mas o tiro não saiu. Um deles foi reconhecido.

“Quando fui registrar a ocorrência já com o ladrão identificado, um policial me confessou que tinham ordem de não registrar delitos menores porque tinham de diminuir as estatísticas de violência”, relembra Mauricio. “Esse é um exemplo de como o governo anterior mentia”, critica.

Durante o governo de Cristina Kirchner, os índices oficiais que não agradavam eram falsificados. O país perdeu referência sobre as verdadeiras taxas de inflação e de pobreza, que só cresciam.

São três tipos de desencantados: há aqueles que, mesmo frustrados, vão redobrar a aposta no presidente, apesar da crise. Esse grupo valoriza outras conquistas do atual governo, como o motorista de ônibus Matías Ibarra, 34 anos. “Por mais que eu esteja apertado financeiramente, vou continuar a confiar nele. É preciso dar tempo para haver uma mudança. O país já arrastava graves problemas econômicos antes. Prefiro dar mais uma chance a voltar ao passado com Cristina, analisa. Não vejo que outro presidente pode resolver os problemas que temos”, explica Martín.

O segundo grupo de desencantados é o que vota em Cristina em parte porque antes tinham maior poder aquisitivo e porque querem castigar Macri pelo desempenho na economia. Desde 2018, a Argentina combina uma forte recessão com uma inflação acumulada de 53,5% nos últimos 12 meses. O nível de pobreza, que subiu de 29% com Cristina a 35,4% com Macri, deve fechar o ano em 40%. A pobreza é consequência da inflação alimentada pela desvalorização de 300% da moeda argentina nos últimos 18 meses. Para conter a corrida cambial, a taxa de juros subiu a 70%, paralisando a economia.

O terceiro grupo de desencantados é formado pelos que abandonaram o presidente devido ao desastre econômico, mas não pensam em voltar ao passado que associam com a corrupção, a mentira e o autoritarismo. Escolhem um terceiro candidato ou anulam o voto.

Síntese eleitoral numa família

No asfaltado bairro Cabot de Garín, a família Amaya convive com a polarização dentro de casa e com todas as variáveis de desencantados. O motorista de ônibus Luis Amaya, 30 anos, votou em Macri há quatro anos, porém se arrependeu.

“Eu esperava uma mudança, mas deu tudo errado. Agora, quero mudar de novo. O problema é que, por trás de Alberto, está Cristina e eles roubaram muito”, hesita. “Mas dava para viver. A energia custava pouco”, pondera Luis, em alusão ao aumento médio acumulado de 800% durante o período Macri. “Vou votar em Cristina, mesmo não gostando dela. Vamos ver o que acontece nesses próximos quatro anos”, arrisca.

A irmã de Luis, Stella Maris (47) é professora primária e vice-diretora em duas escolas. “Votei em Macri porque queria uma perspectiva de futuro. Pensei que, como empresário, ele administraria melhor e receberíamos mais investimentos. Nada disso aconteceu. Agora não vou mais votar nele”, anuncia.

“Quero um futuro melhor para as minhas filhas, mas não vejo esse futuro. Vejo, sim, o abandono da educação pública, que vem do governo Kirchner. O governo anterior desestimulou a cultura de conseguir as coisas através do trabalho e neste não há trabalho”, compara Stella Maris. “Sou uma desencantada com Macri, mas também não voto em Cristina. Sou uma desencantada indecisa e ninguém me encanta”, brinca.

Já o ferreiro Darío Amaya, 76, pai de Luis e de Stella Maris, continua firme com o atual presidente. “Como não há outra opção, vou votar no menos pior. Vamos ver se é como ele diz, que resolveu os problemas estruturais e agora vem uma nova fase”, aposta Darío, esclarecendo que não vota no peronismo.

“Sou um inimigo acérrimo dos governos populistas que pagam para gritarem ‘Viva Perón’. Quero que devolvam tudo o que roubaram. Pelo menos agora há mais transparência”, valoriza.

A nora de Darío, Gabriela Domingos, 27, não vê a hora de Cristina voltar ao poder. “Votei nela antes e vou votar agora. Eu avancei muito socialmente com Cristina, mas com Macri custa bastante. Ele é um desastre. Prefiro voltar ao passado”, afirma.

Em nenhum momento, Gabriela menciona Alberto Fernández como dono do seu voto. E quando questionada sobre quem vai realmente exercer o poder, se ele ou ela, Gabriela não duvida. “Eu acho que quem vai mandar é ela. Acho que ela vai dominá-lo. E é também o que eu espero”, opina.

Todas as sondagens apontam a uma vitória do peronista Alberto Fernández neste domingo (27), com entre 15 e 20 pontos à frente do liberal Mauricio Macri. No último mês, o presidente apostou em caravanas pelo país para recuperar o voto da classe média, especialmente dos desencantados. As marchas foram um inesperado sucesso de público e injetaram otimismo na campanha. Macri agora confia no milagre de um segundo turno.

Entretanto, na Argentina, um candidato é eleito com apenas 45% dos votos ou mesmo com 40%, desde que tenha uma diferença de, pelo menos, dez pontos sobre o segundo colocado. Conforme as pesquisas, Alberto Fernández ganha com as duas variáveis.

Argentina vai às urnas neste domingo (27) para eleger um novo presidente

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