Linha Amarela deve ficar sem cobrança de pedágio por mais de um mês, diz presidente da concessionária – Jornal O Globo

RIO O presidente da Lamsa, concessionária que administra a

Linha Amarela

, Eduardo Dantas, disse que a cobrança da

tarifa de pedágio

pode voltar a ser feita somente

daqui a um mês

, em razão dos danos provocados pela ação da

Prefeitura do Rio

na noite de domingo. As cabines foram destruídas, assim como as câmeras instaladas para monitorar o movimento de veículos. Dantas disse que ainda é muito cedo para avaliar o prejuízo. Ele afirmou que os serviços da concessionária como mecânico, reboque, assistência médica e a manutenção da via foram restabelecidos às 5h30 desta segunda-feira, quando a Lamsa

conseguiu uma liminar da Justiça

suspendendo a intervenção da prefeitura.

Ainda vamos avaliar o impacto dos danos. E isso vai levar algum tempo. Vamos fazer toda a recuperação possível. Obviamente que o dano, o valor financeiro impactado, nós vamos cobrar do poder concedente, da prefeitura. Ainda é muito preliminar afirmar quando o serviço (de cobrança de pedágio) será restabelecido. Vamos fazer uma avaliação detalhada, mas acredito que essa situação vai durar um pouco mais de um mês disse Dantas.

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Por causa da intervenção municipal e dos danos causados aos equipamentos, a pista reversível que costuma ser aberta em direção ao Centro, durante a parte da manhã, não foi delimitada nesta segunda. O tráfego ocorre em quatro pistas abertas em ambos os sentidos.

Perícia nas cabines

A Lamsa registrou a destruilção das cabines do pedágio na 26ª DP (Todos os Santos) como crime de dano, informou a concessionária. Por volta das 11h desta segunda-feira, policiais civis do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) chegaram ao pedágio da Linha Amarela para fazer perícia.

Técnicos da concessionária fazem avaliações nas cabines destruídas pela ação da prefeitura. O objetivo é calcular o valor dos danos e saber se algum equipamento escapou da ação dos funcionários municipais. Eles estão usando celulares para tirar fotos de todos os equipamentos.

‘Reduza a velocidade’

A concessionária está fazendo um alerta em seus painéis eletrônicos sobre a situação na praça do pedágio. “Atenção: cabines destruídas. Para sua segurança, reduza a velocidade”, diz o aviso.

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Mesmo assim, a velocidade dos veículos que cruzam o pedágio é elevada. A Lamsa faz um apelo para que os motoristas cruzem a praça devagar.

Vários motoristas passam pela praça do pedágio ovacionando o prefeito Marcelo Crivella.

Não sou a favor do quebra-quebra que aconteceu. Mas sou a favor do fim da taxa do pedágio de R$ 7,50, na ida e na volta. Você vai daqui para Niterói e paga R$ 4,30 na Ponte Rio-Niterói. Só na ida. E é uma rodovia intermunicipal. E dentro da nossa cidade temos que pagar R$ 7,50. Isso é um absurdo! disse o motorista de aplicativo Carlos Cleber da Silva Barroso, de 35 anos.

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No início da manhã desta segunda-feira, a Justiça concedeu uma liminar suspendendo os efeitos da decisão da Prefeitura de cancelar o contrato com a Lamsa restabelecendo o direito da concessionária de cobrar pedágio Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Equipes da prefeitura retiraram cancelas das cabines de cobrança de pedágio da Linha Amarela na noite deste domingo Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A ação teve início por volta das 22h30 deste domingo e incluiu o corte do fornecimento de energia pela RioLuz Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A decisão de retirar as cancelas foi tomada com base no argumento de Crivella de que, após uma auditoria da prefeitura, o município constatou prejuízo de R$ 1,6 bilhão no contrato com a Lamsa Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

De acordo com a prefeitura, os ganhos da Lamsa com a Linha Amarela desde 1998 foram suficientes para que a concessão tivesse sido encerrada em 2015 Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Crivella anunciara que na terça-feira oficializaria o fim da concessão no Diário Oficial. No entanto, antecipou a medida publicando uma edição extra do D.O. datada da última sexta-feira Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

De acordo com uma nota da prefeitura , houve o “rompimento unilateral do contrato com de concessão da Linha Amarela à Lamsa, que administrava a Via Expressa” Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Segundo o plantão judiciário, será cobrada uma multa de R$ 100 mil por dia em que a Lamsa ficar impedida de atuar, caso a destruição do pedágio já tenha sido integralmente consumada Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Pelas contas da prefeitura, desde o início da cobrança de pedágio, em 1998, até o fim de 2018, passaram pela via 151.282.630 veículos a mais do que havia sido projetado na modelagem financeira da concessão Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A operação pegou os servidores de surpresa: por volta das 21h, representantes de diversos órgãos foram convocados pelo secretário municipal de Transportes, Paulo Cezar Amêndola, para uma operação na Linha Amarela Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O ponto de encontro foi marcado na Praça do Pedágio: no entanto, não foi dito com antecedência qual seria o alvo Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Crivella anunciara que oficializaria o fim da concessão no Diário Oficial na terça-feira, mas antecipou a medida publicando uma edição extra do D.O. na última sexta-feira Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Ele contou que passa pela Linha Amarela diariamente, às vezes mais de dez vezes por dia, para levar passageiros ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, que fica na Ilha do Governador, na Zona Norte:

Por que eles não reduzem o preço? Poderiam cobrar só a ida e não cobrar a volta. Seria uma forma de resolver.

Carlos, porém, disse achar que a prefeitura não conseguirá fazer a manutenção da Linha Amarela.

Não sei se a prefeitura vai dar conta de manter a via. Porque as ruas da cidade, por exemplo, estão todas destruídas. Será que a prefeitura vai conseguir manter? Essa é uma dúvida também pontuou.

PM multa motoristas

Enquanto muitos motoristas passam pelo pedágio da Linha Amarela buzinando, gritando o nome do prefeito ou frases como “Caiu o muro de Berlim”, um policial militar do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) está aplicando multas a quem esteja dirigindo infringindo a legislação. Até as 11h30, mais de 30 penalidades há haviam sido aplicadas.

Parte delas foi para motoristas que passaram fazendo imagens das cabines com o celular e, portanto, com apenas uma mão no volante. A multa, nesse caso, é R$ 293. A infração é considerada gravíssima, com perda de sete pontos na carteira de habilitação.

Quem passa buzinando muito, sem justificativa aparente, também está sendo multado. E são muitos os motoristas que passam pelo pedágio usando as buzinas de forma incessante para comemorar a suspensão da cobrança do pedágio. O PM explicou que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê multa de R$ 80 e três pontos na habilitação para quem buzinar continuamente sem justificativa.

Lamsa: ‘Crivella rompeu limites do bom senso e da legalidade’

Em nota, a Lamsa repudiou “veementemente a decisão ilegal e abusiva do poder municipal, que só causa transtornos à sociedade carioca. Os danos causados à Lamsa ainda serão avaliados pela equipe da concessionária. A cobrança do pedágio permanecerá suspensa até o restabelecimento das condições mínimas de operação e de segurança da concessionária”.

Para a concessionária, “Crivella rompeu todos os limites do bom senso e da legalidade. O prefeito não pode cancelar um contrato de concessão unilateralmente dessa forma. A Lamsa lamenta os atos de vandalismo físico, jurídico e administrativo praticados pelo prefeito, e confia na Justiça para o restabelecimento definitivo do respeito ao cumprimento dos contratos, à ordem e ao Estado de Direito para que possa continuar oferecendo serviços de qualidade à sociedade carioca”.