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João Pedro vai receber permissão de trabalho para estrear na Premier League em janeiro, diz site

Em 1º de agosto de 2018, escrevi para o Mais Minas um texto como o seguinte título: “O Monopólio Futebolístico Brasileiro infelizmente começou“. Na matéria em questão, eu comentei o domínio financeiro que começava a despontar de vez, depois de muito ameaçar e não se cumprir, no futebol brasileiro.

Na ocasião, usei o termo “espanholização” do futebol brasileiro para definir o fenômeno que acontecia naquele momento com Palmeiras e Flamengo. A expressão utilizada vem da realidade do futebol espanhol, e de outros países europeus, de um domínio financeiro, que se converte em técnico e de público, de um ou dois clubes, que acabam relegando aos outros clubes do país, mesmo que tradicionais, apenas um papel de zebra nas competições.

Podemos citar os espanhóis Real Madrid e Barcelona, o francês Paris Saint-Germain, a italiana Juventus e o alemão Bayern de Munique. Ainda existem exemplos ingleses, mas que pela competitividade da liga local e na forma de se administrar o futebol, acabam ficando um pouco à margem no assunto.

E no Brasil, aquele considerado por muitos o país com a liga mais competitiva e imprevisível, a hora que o dinheiro vence, chegou. E olha que muito mais forte do que quando escrevi aquele primeiro texto, há mais de um ano. Naquela época já acreditava ser algo assustador. Não sabia de nada.

Na ocasião do primeiro texto, usei a contratação do ponta Vitinho, hoje reserva absoluto do time do Flamengo, como argumento para afirmar o início do monopólio. Afinal, uma transferência milionária, mais de R$ 40 milhões, num jogador bem “ok”. Mas, o que se vê hoje, beira a insanidade.

O Flamengo, atual líder e virtual campeão brasileiro e finalista da Copa Libertadores após um placar agregado de 6 a 1 (e olha que se fosse 10 ou 12 a 1, não seria nada injusto pelo que se viu no jogo), na semifinal, contra ninguém menos que o Grêmio, de Renato Gaúcho, tem um time que faria inveja em muitas seleções da última Copa do Mundo.

Destaques da base? Achados? Jogadores com história no clube? Não. Produtos de um mercado executado com excelência, mas possível somente para quem tem muitos milhões nos cofres.

Do time titular do Flamengo, oito dos onze jogadores chegaram ao clube nesta temporada. Isso sem contar o prestigiadíssimo treinador português Jorge Jesus. Dos três que sobraram, dois chegaram ao time há dois anos e meio. Sobra Willian Arão, o mais velho e curiosamente considerado o “pior” do time, que está no Flamengo há quatro temporadas.

Em poucos, ou talvez nenhum dos grandes times do Brasil, seja possível encontrar um time titular tão jovem em relação a tempo de clube. Para montar esse time que humilhou o Grêmio, o Flamengo desembolsou nada menos que R$ 195,5 milhões. Esse valor é maior que orçamento total anual de oito dos 20 times que disputam o Brasileirão 2019.

Se formos contar apenas os contratados em 2019, foram R$ 166,6 milhões gastos. Dos oito jogadores contratados, apenas Rafinha e Filipe Luis vieram sem custos, em fim de contrato. Mas há de se levar em conta que é possível que estes tenham alguns dos salários mais altos do elenco, pensando na qualidade técnica e história no futebol, de ambos. Gabriel Barbosa, o Gabigol, é outro que custou um valor baixo, por ter sido contratado por empréstimo de um ano. Ao fim desta temporada, o Flamengo promete oferecer mundos e fundos para ficar com o camisa 9.

Isso tudo apenas no time titular, já que alguns dos reservas também vieram por valores altos, como o próprio Vitinho, no ano passado, ou o volante Piris da Motta, que custou R$ 13,3 milhões. Um elenco totalmente montado para vencer, e vencer rápido.

Todos os valores contidos na matéria foram retirados do site alemão especializado em transferências Transfermarkt.

E se tem algo que preocupa os amantes do futebol, exceto os flamenguistas, é claro, é a provável continuidade desse monopólio para os próximos anos. O Flamengo, ao contratar tais atletas para seu elenco, montou um esquadrão de ativos que promete render muito dinheiro ao clube, se necessário.

A maioria do elenco é formada por atletas jovens e de qualidade e, quando se tiram as estrelas e alguns excedentes, diversos jovens compõe o plantel do rubro-negro, o que os valoriza para o mercado e os permite se desenvolver com uma estrutura técnica ao seu redor. Isso, aliado ao grandioso trabalho feito na base flamenguista, acaba criando mais ativos para sustentarem as contratações megalomaníacas do time.

Isso explica três das quatro últimas grandes vendas do clube serem de atletas da base: o atacante Vinícius Júnior (Real Madrid), o meia Lucas Paquetá (Milan) e o zagueiro Léo Duarte (Milan). E veja só, vendas de todas as posições, mostrando um trabalho bem feito em todas as áreas do campo.

E juntamente com todos os pontos mais levantados, vem aquilo que é mais importante no futebol: os resultados. O Flamengo vem montando bons e caros times há alguns anos. Mas a falta de títulos, ou o “cheirinho” deles, mascarou o grande trabalho feito nos bastidores do clube, na contramão dos outros times brasileiros, de sanar dívidas e montar elencos competitivos. Eduardo Bandeira de Melo, por grande parte dos flamenguistas odiado, deveria receber uma estátua, se me permitem um leve exagero.

Mas se antes os resultados não vinham por completo e o time sempre morria na praia, o time desse ano foi montado para não dar margens de erro. Do camisa 1 ao “Mister”, tudo perfeitamente esquematizado para chegar naquilo que se tornou a obsessão do flamenguista: títulos.

E com os títulos, no qual pelo menos mais um virá, e que se podem tornar incríveis quatro, num ano, vem ainda mais dinheiro. Premiações rechonchudas, bônus por classificação no Brasileirão, prêmios por metas alcançadas, mais dinheiro de patrocinadores, mais assinantes de Pay-per-view, que rendem mais ao time e, por fim, compra de produtos oficiais e rendas nas bilheterias, com os torcedores que sempre lotarão estádios e aceitarão pagar caro nos ingressos, se o time estiver bem, além do aumento comum no número de torcedores em momentos de êxito dos times.

Hoje, se o Flamengo perder um atleta, irá repor com um melhor ou de nível igual. É atrativo ir ao clube da Gávea. Se paga bem, em dia, e se ganha. Em vendas, fica o dinheiro. Em perdas de atletas, como numa eventual saída de Gabigol, o elenco já está quase pronto e se pode investir pesado em atletas de nome.

Esta é um receita infalível. Mas é claro. O Flamengo não preparou-a sozinho. O time sempre recebeu mais cotas de TV e outros aportes financeiros por “n” motivos. Mas administrações desastrosas acabaram adiando o que todos temiam há tempos ser inevitável. No meu último texto, existia ainda uma leve esperança de evitar o monopólio. Afinal, 2018 terminou amargo para o Flamenguista. Mas agora a esperança não é evitar, pois ele já chegou. Só resta agora a dúvida: Como combatê-lo?

Para não passar em branco, o Palmeiras foi outro dos times citados na matéria do ano passado. Curiosamente é o segundo colocado no Brasileirão atrás do Flamengo, com uma boa distância de diferença nos pontos. No momento do primeiro texto, eu temia o Porco ainda mais que o Flamengo, na questão do monopólio. Mas o ambiente político e estrutural complicado do time, interferência externa, falta de paciência e distanciamento com a torcida e escolhas técnicas e futebolísticas erradas, deixaram o time alviverde na mesma situação em que a tabela da Série A mostra: ainda a frente de todos, mas bem atrás do rubro-negro carioca.

Outras coisa, é melhor abrir os olhos que o Red Bull Bragantino vem aí. O Flamengo e o Palmeiras, independentemente da situação, são clubes grandes. Veremos o que o dinheiro pode fazer num time menor.

E por fim, aos ricos meritocráticos que comemorem, e, como se diz no meme, aos pobres, que lutem!

Leia mais: O Monopólio Futebolístico Brasileiro infelizmente começou

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