Início Esporte Ex-presidente da Conmebol Eugenio Figueredo é banido do futebol por corrupção

Ex-presidente da Conmebol Eugenio Figueredo é banido do futebol por corrupção

Tem um visual que dá nas vistas mas foi de forma muito discreta que o antigo internacional português terminou a carreira. Eis as suas razões e muito mais.

Há muito que nos habituámos a ver Raul Meireles como um jogador diferente. As barbas longas, as tatuagens e a atitude descontraída são marcas próprias. O que talvez não se esperasse era que terminasse a carreira aos 33 anos, sem qualquer aviso. Agora, em entrevista ao jornal “A Bola”, Meireles explica tudo. Aqui estão alguns destaques dessa conversa.

O fim da carreira aos 33 anos

“O futebol tinha ainda muito para me dar. Eu acho que depende das pessoas e eu sempre fui um pouco diferente. Não por querer, mas sempre senti que era diferente, porque a minha grande paixão era estar dentro das quatro linhas, dentro do campo. (…) Tudo o que envolve o futebol começou a fazer-me um pouco de confusão e comecei a ficar um pouco cansado por isso mesmo. Aos 31 anos já tinha na minha cabeça que quando acabasse o meu contrato com o Fenerbahçe ia deixar o futebol. Fiz os dois últimos anos sempre da mesma forma, só que já não sentia aquele prazer que sentia antes.”

A ausência de um anúncio público

“É a única coisa de que eu me arrependo. Esta situação das redes sociais veio mudar um bocadinho a forma como toda a gente vê e sabe a vida de toda a gente. (…) Não o fiz porque queria desaparecer, por assim dizer, mas foi na altura errada. (…) Na rua perguntavam ‘Onde é que estás a jogar?’ e eu dizia ‘Não estou, já acabei’. Ninguém sabia. E realmente hoje em dia é um bocadinho difícil esconder alguma coisa.”

O que envolve o futebol

“O futebol é o melhor desporto do mundo. É fantástico quando estamos a jogar entre nós. (…) Agora há muita coisa que envolve o futebol que é muito complicada, muito difícil de suportar. Eu cheguei a um nível que nunca pensei chegar. (…) Agora quero desfrutar da minha família e fazer uma vida tranquila.”

Ver o jogo de outra forma

“Desde que deixei de jogar, consigo ver o futebol de outra forma. E às vezes o jogador de futebol (…) tem dificuldades em elogiar um jogador que joga na nossa posição, por exemplo. E eu não. Desde que deixei de jogar, sento-me a ver um jogo e dá-me prazer quando um jogador faz algo extraordinário. (…) Por exemplo, nós temos uma seleção fabulosa.”

A evolução do futebol

“Eu acho que, se jogasse neste momento, se calhar ia ter um pouco mais de dificuldade, pois o futebol evoluiu e temos aí jogadores com uma qualidade fantástica.”

Saudades da seleção

“Eu adorava a seleção. A seleção sempre foi a minha paixão. E uma das coisas que me poderá ter feito deixar o futebol mais cedo. (…) A seleção para mim era o máximo dos máximos.”

A não-convocação para o Euro 2016

“É uma alegria ver o meu país conquistar algo mas, ao mesmo tempo, fiquei triste, porque não participei. Não é mágoa, mas é uma tristeza. Não posso ser falso e dizer que não me incomoda. (…) Eu adorava ter estado lá.”

Ser treinador

“Treinador é algo que nunca vou ser, porque é muito difícil ter de gerir pessoas, definir a vida de pessoas. Muita gente não tem consciência disso: eu ao selecionar este e não selecionar aquele, estou a dar vida a este e se calhar a prejudicar o outro. É um trabalho muito ingrato.”

Voltar ao futebol

“Eu já disse a muita gente que nunca me vão ver no futebol, mas depois às vezes ponho-me a pensar e eu não sei o que vou sentir daqui a uns anos. (…) Agora, neste momento, não me vejo no futebol. Vejo poucos jogos. Quando jogava também via poucos jogos. Adorava as palestras, quando tínhamos de estudar o adversário.”

“Desde que deixei de jogar, nunca mais fui a um estádio. (…) É algo que não me puxa. Gosto de ver o jogo na televisão, tranquilo. (…) Eu nunca gostei de ser famoso e não gosto de perguntas…”

O jogo em que Kelvin marcou e Jesus ajoelhou

“Eu pus a equipa toda do Fenerbahçe na sala de reuniões a ver esse jogo. (…) Tínhamos sido eliminados pelo Benfica, na Liga Europa. (…) Eu já estava a ferver e já não acreditava, como todos os portistas. E quando o Kelvin faz aquele golo, eu levanto-me, dou um soco a festejar e depois tive de ir para o quarto, porque estava cheio de dores. (…) Hoje em dia, já não. Já consigo estar mais calmo.”

Os milhões no futebol

“No futuro acho que vai ser ainda pior. (…) O Félix tem qualidade, nada contra isso. Agora os valores… Claro que choca, choca um bocadinho.”

Jogadores que admira

“Gosto de ver muitos. Tento seguir sempre o Cristiano. Além do jogador que é, tenho uma admiração muito forte por ele. (…) E eu conheço o Cristiano desde muito novo. (…) Eu adorava o Iniesta. Tive oportunidade de jogar contra ele. Foi o único jogador a quem pedi a camisola. É verdade, nunca pedi nenhuma camisola. Não ligo, nem tenho nada em casa exposto do futebol. São coisas minhas.”

Veja também: “Os portugueses não percebem o conceito de racismo” (SIC Radical)

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