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Evo Morales diz que aceitará 2º turno se auditoria confirmar fraude nas eleições presidenciais da Bolívia – G1

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou neste sábado (26) que aceitará um segundo turno caso se confirme que houve fraude nas eleições presidenciais. A apuração totalizada indicou que Evo venceu o pleito no primeiro turno e terá o quarto mandato consecutivo. Porém, a oposição e governos de outros países, incluindo o Brasil, pediram auditoria dos votos para averiguar se houve fraude na eleição.

“Escutamos as posições das chancelarias de Colômbia, Argentina, Brasil e Estados Unidos. Convido esses e outros países a participar da auditoria que propusemos”, escreveu no Twitter.

“Que se revisem as urnas. Se for comprovada fraude no fim do processo, vamos ao segundo turno”, admitiu Evo.

Hemos escuchado las posiciones de las cancillerías de #Colombia, #Argentina, #Brasil y #EEUU. Invito a esos y otros países a participar de la auditoría que hemos propuesto. Que se revisen todas las actas. Si a la conclusión del proceso se prueba el fraude, vamos a la 2da vuelta.

? October 26, 2019

Apuração finalizada dá vitória a Evo

De acordo com o TSE boliviano, o partido de Evo, o MAS-IPSP, venceu as eleições com 47,08% dos votos (2.888.359, ao todo), contra 36,51% (2.240.920 votos) do partido do opositor Carlos Mesa, o CC (Comunidad Ciudadana). Os votos em branco representaram 1,47% e, os nulos, 3,57%.

Pelas normas eleitorais bolivianas, um candidato vence a eleição no primeiro turno caso atinja a maioria absoluta ou caso consiga mais de 40% dos votos e, ao mesmo tempo, obtenha vantagem mínima de 10 pontos percentuais ao segundo colocado foi o que ocorreu nesta eleição.

O Tribunal disse estar disposto a realizar auditorias nas apurações. “O Corpo Eleitoral Plurinacional expressa sua disposição de realizar auditorias ao longo do desenvolvimento deste processo, tanto pelos cidadãos, quanto pelas comissões técnicas de organizações internacionais e missões de apoio eleitoral”, escreveu em comunicado.

Brasil e OEA não reconhecem

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou, ainda durante os resultados preliminares, que não reconhecia, a reeleição de Evo Morales. Em um tuíte, o Itamaraty justificou que apoia uma auditoria completa do primeiro turno proposta pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Considerando-se as tratativas em curso entre a OEA e o governo da Bolívia para uma auditoria completa do primeiro turno das eleições naquele país, o Brasil não reconhecerá, neste momento, qualquer anúncio de resultado final”, afirma o Itamaraty, em um tuíte.

A eleição ocorreu no domingo (20). O processo teve uma polêmica, já que havia dois métodos de apuração: um deles, o preliminar, era mais rápido, enquanto o outro, voto a voto, transcorria mais lentamente.

Os resultados dessas duas formas de contar começaram a divergir já no domingo. Enquanto a preliminar indicava a reeleição do presidente Evo Morales, a voto a voto apontava a disputa de um segundo turno de Morales contra Carlos Mesa.

Na Bolívia, um candidato pode ser declarado vencedor no primeiro turno se tiver 50% dos votos mais um, ou se tiver 40%, com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

A oposição se manifestou houve acusações de fraude e protestos nas ruas. A Organização dos Estados Americanos publicou um documento em que qualificava a mudança de tendência inexplicável.

A divulgação da apuração preliminar foi suspensa e apenas a voto a voto continuou a ser divulgada.

Na segunda-feira, o ministro das Comunicações, Manuel Canelas, admitiu que o órgão eleitoral errou ao não deixar claro que havia duas contagens paralelas e explicou que a contagem preliminar tinha sido paralisada quando foi notado que havia uma confusão.

Na terça-feira, o vice-presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Antonio Costas, pediu demissão e afirmou que não tinha participado da decisão de interromper o serviço de apuração preliminar.

Ainda com um impasse nos resultados, os protestos cresceram, e Mesa convocou seus apoiadores a manterem uma mobilização constante até que se declare o segundo turno oficialmente.

Ao mesmo tempo, Evo dizia que venceu no primeiro turno e, nesta quinta, mesmo antes do encerramento da apuração, repetia ter ganhado graças ao voto rural. Na véspera, ele havia falado que a Bolívia “está em processo um golpe de estado”, em aparente referência aos protestos e à greve indefinida anunciados no país. Ele também afirmou que o país estava em estado de emergência e “em mobilização pacífica, constitucional e permanente”.

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