Início Brasil Eleições 2020: Os desafios da moradia na cidade de São Paulo

Eleições 2020: Os desafios da moradia na cidade de São Paulo

Atualmente, 474 mil moradias populares deveriam ser construídas para zerar o déficit habitacional na cidade de São Paulo, aponta estudo da Fundação Getúlio Vargas de 2017. O urbanista Valter Caldana afirma que o próximo prefeito da capital paulista deveria lidar com esse desafio de um jeito diferente do que foi feito até agora. Para ele, as últimas gestões erraram ao focar na construção de casas baratas em terrenos baratos. “Que é um instrumento que gera cidade caríssima em termos de infraestrutura, que gera cidade segregada, que gera cidade com guetos e com regiões condenadas pela própria imagem”, afirma.

O urbanista explica que existem outras possibilidades para resolver o problema da falta de habitação. Entre essas propostas estão a regularização fundiária, a urbanização de favelas e o crédito para construção. Outro instrumento que Caldana ressalta é o aluguel de casas construídas pela prefeitura e pela iniciativa privada. “É um instrumento muito importante porque ele contorna o problema da terra muito cara. Na cidade de São Paulo quanto mais cara é a terra, mais você tem que fazer barata a casa e aí você acaba fazendo com baixa qualidade e mais distante. Aí você agrava todos os outros problemas.”

Um dos problemas é a baixa oferta de transporte que acaba impactando na qualidade de vida e até na dificuldade de arrumar emprego. Sem falar no acesso aos serviços de saúde e educação. O urbanista Flamínio Fichmann ressalta que não basta só construir casa, tem que dar estrutura para os bairros. “Principalmente para jovens e adolescentes, quando eles têm atividades saudáveis, a gente vai ter adultos com uma condição melhor e com menor risco, inclusive, de assédio a drogas. O desenho urbano tem um aspecto fundamental nisso”, diz. A falta de um espaço para crianças e adolescentes é uma das reclamações de quem mora na Vila Aimoré, Zona Leste de São Paulo. Na região, existe um grande terreno privado, que está abandonado e foi ocupado por ciganos e alguns cavalos. A assistente social Elisângela Ribeiro, mãe de três filhos gostaria que o local fosse transformado numa área de lazer. “Já teve pessoas que já tramitaram junto a prefeitura pedindo esse espaço que nós temos para poder construir algum campo de futebol, algum lugar que alcance essas crianças, adolescentes, para recreação, que é um direito da gente.”

*Com informações da repórter Nicole Fusco

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