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Depois de doping na Nike, Under Armour também vive pesadelo e troca de CEO

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Em meio a uma reestruturação, a companhia de roupas esportivas Under Armour está mudando sua liderança. O CEO e fundador Kevin Plank está deixando o cargo e será substituído pelo diretor de operações, Patrik Frisk.

A companhia enfrenta dificuldades em seu principal mercado, os Estados Unidos, por manter o foco em produtos de alta performance esportiva. Enquanto isso, competidores estão lançando linhas casuais de tênis e em conjunto com celebridades, para seguir a tendência de moda de rua, em que tênis subjugaram os sapatos e ganharam espaço até em escritórios e ambientes formais. 

Kevin Plank, com 47 anos, fundou a companhia no porão da casa de sua avó em 1996 enquanto era jogador de futebol americano na universidade de Maryland. Ao longo dos anos, a então pequena fabricante de roupas se tornou uma marca global com vendas de 5 bilhões de dólares anuais. 

Em janeiro, ele será substituído por Patrik Frisk, que chegou na companhia em julho de 2017. Frisk foi o presidente da empresa canadense de calçados e acessórios Aldo Group.

Plank continuará como membro do conselho de administração e diretor de marca e supervisionará a atuação do novo presidente. O fundador tem cerca de 15% das ações, mas controla a companhia por meio de 65% das ações com direito a voto.

Em entrevista para a Fortune, Plank negou que estaria sendo pressionado pelo conselho para deixar o cargo e que essa é uma transição pensada há tempos. Com essa nova configuração, Plank diz que a empresa será “tão rápida quanto precisa e tão eficiente quanto precisa ser”. Segundo ele, a mudança já era pensada há tempos e não significa uma aposentadoria, mas sim uma chance de olhar a empresa de maneira mais estratégica.

Com o anúncio da mudança, as ações da companhia subiram 6,4% ontem – hoje, abriram em queda de 2,7%. No entanto, as ações valem hoje cerca de metade do valor há dois  anos, quando a companhia estava no auge da expansão de vendas.

No ano passado, a Under Armour ganhou 5,2 bilhões de dólares, enquanto a Nike faturou 39 bilhões de dólares no ano passado e a Adidas, 26 bilhões de dólares.

A Under Armour não foi a única companhia a anunciar uma mudança na liderança esta semana. O CEO da Nike, Mark Parker, deixa o cargo depois de ter comandado a empresa nos últimos 13 anos. Ele continuará presidente do conselho de administração e será substituído pelo membro do conselho John Donahoe. Donahoe foi presidente do site eBay e trabalhou na consultoria Bain & Co.

O jornal americano The Wall Street Journal revelou no início do mês que o presidente da fabricante de artigos esportivos Nike, Mark Parker, estava a par de um escabroso esquema de doping liderado por anos por Alberto Salazar, treinador que lidera uma equipe patrocinada pela empresa.

Salazar foi banido pela Agência Antidoping dos Estados Unidos acusado, entre outros crimes, de realizar experimentos com testosterona. O Journal divulgou em primeira mão trechos de um relatório da agência que mostram que Parker tem acesso a emails há dez anos e que ao menos um experimento foi realizado dentro da sede da Nike. A empresa, mais cedo ontem, havia negado o envolvimento de Parker.

Desde 2015, a Under Armour viu suas receitas crescerem 9,4%. Grande parte dessa alta vem do segmento de calçados, que aumentou 16,2% nos últimos anos. Porém a companhia tem enfrentado dificuldades na América do Norte, região que representa quase 70% das receitas da companhia. No último trimestre, as vendas encolheram 3,2% na região.

O erro da companhia, de acordo com analistas ouvidos pela Fortune, foi manter um foco restrito em produtos de alta performance, enquanto competidores lançaram também linhas voltadas à moda de rua. “O posicionamento da marca é muito claro para nós: somos uma empresa de performance”, afirmou Frisk para a Fortune.

Competidores também firmaram parcerias com celebridades para produção e divulgação de suas linhas, para tornar os produtos mais acessíveis e casuais. A Adidas lançou linhas em parceria com a cantora Beyoncé e a Puma tem a cantora Selena Gomez como garota-propaganda – a conta de Gomez no Instagram é uma das mais seguidas no mundo, o que garante visualizações e engajamento para a marca esportiva.

Assim, a participação de mercado da empresa nos Estados Unidos encolheu de 6,4% para 5,6% em um ano, diz a CNBC. Para solucionar a questão, a empresa contratou um novo diretor para a América do Norte no último mês.

Com as mudanças, a empresa deve decidir se continuará a se focar em roupas e calçados de alta performance para esportes ou irá se render à moda de streetwear.

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