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Da prisão, Lula “trucou” a Lava Jato e chamou o STF à responsabilidade

Pouco tempo atrás, quem ousasse criticar a Lava Jato era rapidamente associado à defesa da corrupção e tratado como inimigo do País. Com imprescindível apoio de parte significativa da mídia, procuradores e, em especial, Sérgio Moro foram transformados em heróis. Acima do bem e do mal, a operação era tratada como a redenção dos problemas nacionais. Como todo poder inquestionável, criou condições para o arbítrio e sucessivas ilegalidades. Ninguém estaria acima da lei, exceto os xerifes curitibanos.

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Não era necessário ter acesso às conversas entre seus integrantes para saber que a atuação da Lava Jato passava longe da isenção. A espetacularização das ações e o uso político de vazamentos fizeram com que um juiz de primeira instância e uma dezena de jovens procuradores narcisistas ditassem os rumos políticos do País. Sem voto ou qualquer controle da sociedade, sobretudo pela covarde omissão de instâncias superiores, tornaram-se o poder real no Brasil.

Um rei começa a cair quando acredita que sua glória é eterna. Com a derrota eleitoral do PT, após a prisão e o impedimento arbitrários de Lula, Moro sentiu que havia ganhado todas as batalhas e poderia reinar livremente. O fato de aceitar assumir o Ministério da Justiça de Bolsonaro e nem sequer ter negado que o convite foi feito antes do segundo turno das eleições revela sua fé absoluta na impunidade. Não teve qualquer pudor em abandonar o teatro da neutralidade e assumir claramente seus interesses políticos.

A História, tal como Medeia, sabe, no entanto, ser uma deusa terrível e vingativa. Justamente no momento de maior poder, veio o maior revés. As mensagens da Vaza Jato revelaram as sórdidas entranhas de uma conspiração, na qual agentes públicos enredaram-se em uma busca alucinada para destruir inimigos. E não restam mais dúvidas de que a Lava Jato elegeu Lula como seu maior inimigo. Para se ter uma ideia, Leandro Demori, editor-executivo do Intercept Brasil, revelou que a palavra Lula aparece nos chats dos procuradores 14.357 vezes. Por quatro anos, os procuradores citaram nominalmente o ex-presidente, em média, dez vezes por dia.

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Em setembro de 2017, Lula chegou a perguntar em um de seus depoimentos a Moro: “Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?” Moro respondeu com a prepotência usual: “Bem, primeiro não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta para mim, mas, de todo modo, sim”. A resposta foi registrada nos autos da Justiça. A prova do cinismo e da mentira do ex-juiz ficará para os livros de História.

Reduzidos a anões morais em luta para salvar a própria pele, Moro parece resignado em sofrer humilhações diárias de Bolsonaro, sem largar o osso, e os procuradores passaram a atuar desesperadamente para impedir a anulação do processo de Lula e sua consequente soltura. O inédito pedido de progressão de regime, longe de benevolência, mal esconde a tentativa de inviabilizar o julgamento da suspeição de Moro, iniciado na Segunda Turma do Supremo. Obcecada pela humilhação pública do ex-presidente, a Lava Jato tenta mais uma vez interferir em decisão do STF e trazer de volta para si o controle da situação.

➤ Leia também: STJ diminui pena de Lula e ex-presidente poderá sair ainda este ano

Lula reagiu com altivez em carta dirigida ao povo brasileiro. Como disse Juca Kfouri em belo artigo, deixar de reconhecer dignidade na decisão do ex-presidente “é comportamento de pequenez sem tamanho”. Aos 73 anos, optar por ficar preso em um cubículo até ter direito a julgamento justo é um ato de grandeza, ainda que arriscado. Da prisão, ele trucou a Lava Jato e chamou o Supremo à responsabilidade histórica. Saberemos nos próximos dias se a corte terá coragem para restabelecer a justiça ou se sucumbirá à pressão desesperada de um grupo de xerifes decadentes e seus aliados políticos.

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Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Foi candidato à Presidência da República em 2018, pelo PSOL.

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