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Com 280 quilos, homem sofre com obstrução nas pernas e passa por três hospitais para ser atendido


José Antônio, de 51 anos, mora em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata. Depois de passar por unidade na cidade, foi para o Getúlio Vargas e está no HC, no Recife. José Antônio tem 280 quilos e sofre com obstrução nas artérias das pernas
Marli de Amorim/Reprodução/WhatsApp
Um paciente com 280 quilos foi internado no Hospital das Clínicas, na Zona Oeste do Recife, por causa de complicações de uma doença vascular que afetou as duas pernas dele. José Antônio de Amorim mora em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, e precisou fazer duas viagens e passar por três unidades de saúde, até encontrar um local com estrutura para o atendimento.
Há mais de cinco anos, José Antônio sofre com linfangite crônica, que é a obstrução de uma artéria. No caso dele, isso ocorreu nas duas pernas. Servente de pedreiro, o homem, que tem 51 anos, agora sofre com muitas dores, feridas e hematomas.
José Antônio de Amorim foi internado no Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão, na segunda-feira (21). Para retirá-lo de casa, as irmãs precisaram acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O Samu, por sua vez, pediu o apoio do Corpo de Bombeiros para transferi-lo do quarto da casa onde mora, no bairro de Águas Brancas, para o veículo que o levou até a unidade hospitalar.
Do local, no entanto, ele precisou ser transferido oura vez. A unidade escolhida pela equipe médica foi o Hospital Getúlio Vargas, na Zona Oeste da capital, referência no atendimento de ortopedia.
Lá, ele sequer conseguiu sair da ambulância e foi informado que a unidade não tinha estrutura para atendê-lo. Ele, então, foi levado de volta ao João Murilo.
Só depois de algumas horas, José Antônio foi encaminhado ao Hospital das Clínicas (HC), onde há equipes multidisciplinares especializadas no atendimento de casos como o dele.
“Eu queria saber como é que mandam um paciente para um hospital sem saber se tem estruturas para recebê-lo”, disse a garçonete Maeli Nascimento Amorim, irmã de José Antônio.
A luta de José Antônio contra a obesidade começou quando ela era mais novo. O homem sempre tentou se manter saudável e, segundo as irmãs, fazia caminhadas.
Porém, quando foi afetado pelos problemas vasculares, o servente teve a mobilidade comprometida. Quanto mais ele ficava parado, piorava. E quanto mais ele piorava, mais ficava parado.
“As duas pernas dele estão bastante inflamadas, com hematomas, e ele sente muitas dores. Levamos ele ao hospital, porque ele não aguentava mais de tanta dor. Alguns anos atrás, ele chegou a ser internado por 29 dias no Getúlio Vargas e disseram que ele teria que amputar a perna. Na época, ele andava e não quis, porque também havia o risco da doença subir para os órgãos dele e a amputação ser ineficaz”, afirmou Maeli.
Em Vitória de Santo Antão, José Antônio mora com a mãe, de 73 anos. Idosa, ela não tem condições de cuidar do filho.
Na maioria das vezes, o paciente precisou fazer sozinho os próprios curativos ou contou a ajuda de Maeli e da outra irmã, a cambista Marli Nascimento de Amorim.
É Marli que o acompanha nos hospitais sempre que é preciso, inclusive nesta internação no Hospital das Clínicas.
José Antônio foi internado no Hospital das Clínicas da UFPE, localizado na Zona Oeste do Recife
Reprodução/Google Street View
História
José Antônio preferiu não conversar diretamente com o G1, mas permitiu que as irmãs contassem sua história. Segundo a família, ele trabalhava com reciclagem antes de receber o diagnóstico de obstrução nas pernas.
Por muito tempo, ele não conseguiu trabalho formal e, quando finalmente foi contratado para ajudar na construção de uma fábrica, só conseguiu passar três meses no emprego, devido à doença.
Por anos, ele ficou sem fonte de renda, até que, dois anos atrás, conseguiu ser contemplado pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Esse benefício só foi concedido pelo governo federal depois que a família tirou os poucos recursos que seriam gastos no tratamento dele para a contratação de um advogado, para destravar o processo.
“Ele sempre foi gordo, mas ele fazia caminhadas, se cuidava. Mas com a doença nas pernas, ele não pode mais sair de casa e, nessa situação, a obesidade se agravou. Mas ele ainda tomava banho sozinho, fazia o trajeto do quarto para a sala, andava sozinho. Mas uma semana atrás, nem isso ele conseguia. Os pés doíam muito e ele não saía da cama. Além de tudo, ainda precisou passar por todo o constrangimento que passou, desde a remoção pelos bombeiros até não conseguir atendimento no Getúlio Vargas”, disse Maeli.
Internada com José Antônio, a cambista Marli Nascimento, irmã dele, precisou deixar o trabalho para acompanhá-lo. Ela disse que, na unidade hospitalar, o irmão tem sido bem tratado, teve os curativos na perna feitos e se prepara para os próximos tratamentos em relação à obesidade e à linfangite crônica.
“O médico falou que ele precisa, antes de tudo, emagrecer. Disse que, se for para fazer uma cirurgia bariátrica, será feita. Mas, antes da cirurgia, ele precisa perder peso. Já fizeram curativos nos ferimentos dele e esperamos que todo o tratamento seja feito aqui, porque é mais confortável do que em casa, onde ele não tem nem uma cama que caiba ele direito”, afirmou.
Sem espaço, sem conforto
Segundo Maeli, a situação do irmão dela se agravou, principalmente, devido à falta de infraestrutura para atendê-lo. Para deitar na cama, que sequer o comportava, ele precisava amarrar uma das pernas com uma faixa à parede para manter os dois membros suspensos.
“O quarto dele é muito pequeno, mas temos espaço para aumentar, só que não temos recursos. No começo, a prefeitura mandava alguém, de vez em quando, para fazer os curativos dele, mas faz anos que isso não acontece. Quem limpava e fazia tudo era ele mesmo ou minha irmã, porque minha mãe não tem condições de ajudá-lo”, afirmou Maeli.
Respostas
O G1 entrou em contato com a prefeitura de Vitória de Santo Antão, para saber se alguma assistência pode ser prestada a José Antônio, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a direção do Hospital Getúlio Vargas (HGV) afirmou que “em nenhum momento foi negado atendimento médico ao paciente citado e que o mesmo foi avaliado por um cirurgião vascular no mesmo dia em que deu entrada na unidade”.
O paciente, segundo a SES, foi “diagnosticado com obstrução arterial crônica de membros inferiores (linfangite crônica), após o parecer e exame de seu quadro clínico, voltou para sua unidade hospitalar de origem, em Vitória de Santo Antão, já que não foi classificado como paciente de urgência e também não havia indicação cirúrgica”.
Carlos Antonio, o ‘superobeso’ da Paraíba, foi internado no Recife, em 2015
Reprodução/TV Paraíba
Outro caso
Em 2015, o jovem paraibano Carlos Antônio Santos Freitas, internado no Hospital das Clínicas com um quadro de obesidade extrema, com 420 quilos. Ele morava em Patos, no Sertão da Paraíba, e tinha diversos problemas de saúde por causa do peso.
Também devido ao peso, o jovem não conseguia se deitar ou andar e vivia há mais de dois anos sentado no chão da sala de casa. Ele foi internado no HC para dar início ao processo de emagrecimento.
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