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Bayern – muita areia para pouco caminhão

Em meio à tradicional crise de outuno do Bayern, a recente contusão de Niklas Süle não poderia vir em pior momento

Não é a primeira vez que, com a chegada do outono, notícias ruins perturbam a atmosfera do maior campeão da Bundesliga. Foi assim em fins de setembro de 2017 quando, depois de dois empates consecutivos no campeonato e uma derrota humilhante na Champions League diante do PSG, o badalado Carlo Ancelotti foi demitido sumariamente da direção técnica do clube.

Na temporada seguinte, há exatamente um ano, o treinador Niko Kovac por pouco não viu seu mundo desabar por conta dos maus resultados no início da temporada. Não fosse o apoio incondicional do presidente Uli Hoeness, dificilmente o então recém-empossado técnico teria sobrevivido às intempéries daquele outono.

Duas derrotas consecutivas na Bundesliga e um empate em casa contra o Ajax balançaram o coreto de Kovac. E tudo isso durante a Oktoberfest em Munique, a festa sagrada dos bávaros na qual o Bayern costuma marcar presença com toda equipe vestida a caráter.

Agora o drama se repete, e os números não costumam mentir. Com apenas 15 pontos de 24 possíveis, o Bayern tem um aproveitamento de apenas 62,5%, muito baixo para as sempre altas pretensões bávaras. Desse ponto de vista, é o pior início de temporada desde 2010.

Há três semanas, todo mundo elogiava a equipe depois da estonteante vitória sobre o Tottenham, mas depois da derrota em casa para o Hoffenheim e o empate com o Augsburg, a já tradicional crise de outono dá as caras novamente.

Nos últimos quatro jogos oficiais, a defesa montada por Kovac sofreu oito gols, exatamente dois por partida. É muito, especialmente para um time que, há pouco tempo, se orgulhava de ostentar o melhor setor defensivo do país quando amargava apenas um gol adversário a cada dois jogos.  

Inevitavelmente cabe perguntar por que a defesa se mostra tão vulnerável, setor no qual o Bayern investiu 115 milhões de euros com as contratações de Hernandez e Pavard.

A recente contusão do zagueiro Niklas Süle não poderia vir em pior momento. Logo no comecinho da partida contra o Augsburg, sem ter sido atingido pelo adversário, Süle rompeu os ligamentos cruzados do joelho esquerdo. É considerada a contusão mais grave que um jogador de futebol pode sofrer. Ficará seis meses fora de ação e corre o risco inclusive de não poder participar da Eurocopa com a seleção alemã.

A atual temporada já está na metade do primeiro turno, e não se nota um desenvolvimento tático da equipe em nenhum setor. A defesa carece de estabilidade. A função de volante protetor está órfã, Coutinho até agora não desencantou, e o ataque vive do talento individual de Lewandowski e Gnabry. Não estivessem os dois em grande forma, os problemas do Bayern provavelmente seriam muito piores do que já são.

A criatividade ofensiva e a variação de jogadas no ataque atualmente dependem apenas de lances individuais. Falta claramente um conceito tático para jogadas ofensivas de acordo com o momento da partida. Triangulações, variações coletivas e automatismos raramente são vistos. São diretrizes que, durante o jogo, normalmente deveriam vir do técnico à beira do campo.

A pergunta que se faz hoje em Munique diz respeito, mais uma vez, à competência de Niko Kovac. Terá ele a capacidade de formar, com os extraordinários talentos individuais à sua disposição, um conjunto sintonizado que corresponda à ideia de um futebol coletivo? 

Em sua época como treinador do Eintracht Frankfurt, a tarefa de Kovac era mais fácil. Havia um grupo de jogadores medianos à sua disposição com um ou outro destaque. A proposta se restringia a um futebol robusto com ênfase na presença física. Filigranas táticas não faziam parte do repertório do Frankfurt, mesmo porque os recursos humanos eram limitados.

Já no Bayern há um elenco multiestelar composto por várias estrelas com luz própria que, para funcionar bem, precisam ser integradas num grande sistema que potencialize seu brilho em prol do conjunto.   

O portal Focus Online põe os pontos nos is com sua chamada a respeito do assunto: o Bayern parece ser grande demais para o Kovac. Sou tentado a concordar e me lembro do ditado popular brasileiro que diz: “É muita areia para pouco caminhão.”

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no Twitter, Facebook e no site Bundesliga.com.br

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Kai Havertz é a maior promessa do futebol alemão. Em 88 partidas, o meio-campista do Leverkusen marcou 24 gols. Ele é tecnicamente soberbo, forte com os dois pés, consegue cavar espaço, além de marcar e dar assistência a gols. Havertz quer ficar no Leverkusen nesta temporada, mas parece ser apenas uma questão de tempo antes de seguir em frente. O Bayern de Munique já está de olho nele.

Inglês que joga na Alemanha, Sancho é uma espécie de pioneiro que está sendo seguido por muitos outros jovens britânicos. O ex-jogador do Manchester City tem velocidade e serenidade, com talento para tomar decisões apesar da tenra idade. Ele foi um dos astros da temporada passada da Bundesliga, marcando 12 gols e fazendo 17 assistências.

O zagueiro francês (camisa branca) é outro predestinado a brilhar. Figura imponente, Upamecano domina os lances no ar e é veloz. Ele joga duro nas disputas de bola, mas quase sempre é justo. Apesar de lapsos de concentração muitas vezes comuns em jovens jogadores, ele se tornou um dos pilares da defesa mais fechada do Campeonato Alemão.

Outro zagueiro do Leipzig que domina tanto no ar quanto no solo. No ano passado, Konaté teve uma temporada soberba, com participação em 43 partidas. O francês é cobiçado por alguns clubes europeus, mas seu contrato vai até 2023. Konaté descreve seu colega Upamecano “como um irmão”, e espera-se da dupla uma parceria brilhante também nesta temporada da Bundesliga.

O canadense nascido em um campo de refugiados na África joga pelo clube bávaro desde janeiro e marcou seu primeiro gol na Bundesliga em março de 2019, contra o Mainz. A saída de Franck Ribéry e Arjen Robben do clube pode dar a Davies mais oportunidades neste ano, especialmente após a lesão de Leroy Sané, do Manchester City, cotado para o Bayern.

O filho de Lilian Thuram, campeão mundial pela França, está no clube alemão desde julho, depois de impressionar nos franceses Sochaux e Guingamp. Ao contrário de seu pai, um dos melhores defensores de sua geração, Marcus é um jogador ofensivo e prefere jogar pela esquerda ou no ataque. Alto e forte, Thuram é um driblador nato e pode substituir Thorgan Hazard, que foi para o Dortmund.

“Com seu caráter e como jogador, Weston personifica muito do que precisamos”, diz o técnico do Schalke, David Wagner, sobre o americano McKennie. Devido à sua flexibilidade, o jogador de 20 anos é titular da equipe. Apesar de jovem, ele é um jogador completo, que pode dar a estabilidade necessária ao meio-campo do Schalke.

Outro francês, o zagueiro N’Dicka roubou as atenções com o ótimo desempenho do Frankfurt na temporada passada. Excelente na segunda metade da temporada, ele ganhou o prêmio Rookie of the Month da Bundesliga (para menores de 23 anos) em fevereiro. Inteligente e decisivo, o jovem de 19 anos deve ter uma grande temporada pela frente.

O atacante americano impactou na temporada passada, ao marcar um gol apenas dois minutos após deixar o banco em sua estreia na Bundesliga. Ele terminou a temporada com dois gols marcados em apenas 205 minutos de jogo. Sargent chegou ao Werder em julho de 2018 e tem contrato até 2022. Florian Kohfeldt, técnico do Bremen, é só elogios ao jogador.

Espera-se muito da atuação do jovem atacante alemão na equipe bávara, principalmente agora quando os campeões querem aliviar a pressão sobre Robert Lewandowski . Arp causou sensação ao marcar nas suas duas primeiras aparições profissionais, mas não conseguiu brilhar com o Hamburgo na Segunda Divisão. Agora no Bayern, dá um grande passo à frente.

O americano Tyler Adams chegou ao Leipzig em janeiro, vindo diretamente de Nova York, e logo pareceu sentir-se bem no novo ambiente. Forte no ataque, perspicaz no passe e com uma cabeça inteligente, Adams é um verdadeiro “allrounder” que pode jogar em diferentes posições.

Outro inglês que seguiu os passos de Sancho, Lookman já havia sido emprestado ao Leipzig. Na temporada 2017/18, jogou 11 partidas pela Bundesliga, marcou cinco gols e fez quatro assistências. Agora, o jovem de 21 anos está de volta ao Campeonato Alemão, depois de o Leipzig tê-lo comprado do Everton FC por 18 milhões de euros. A expectativa é grande!

O lateral emprestado pelo Real Madrid ao Borussia Dortmund é rápido como uma flecha e um forte driblador. Em 21 jogos da Bundesliga, o marroquino nascido na Espanha marcou dois gols e deu quatro assistências, antes de fraturar o metatarso em abril. Agora está em forma novamente e quer aproveitar sua chance.

O galês trocou o Manchester City pelo Schalke e espera ter um impacto semelhante ao de Sancho, que também deixou seu país pela Alemanha. Considerado o jogador mais rápido das fileiras do City, Matondo disputou apenas algumas partidas pelo Schalke no ano passado. Sob o comando do treinador David Wagner, ele deve agora decolar.

Autoria: Matt Pearson

Desde 2018, o suíço Lucien Favre comanda a equipe do Borussia Dortmund. Com fama de hesitante e obcecado pelos aspectos táticos, o treinador tem a missão de levar o clube ao título da temporada 2019/2020 da Bundesliga.

Desde 2013, quando o Bayern de Munique venceu a competição, nenhum clube alemão conseguiu chegar a uma final da Champions – um rendimento pífio para o futebol do país. Será que o jejum vai acabar nesta temporada?

Após gol decisivo no Maracanã na Copa de 2014, carreira de Götze foi truncada por infortúnios. Agora, ele precisa afastar maldição que pairou sobre os outros três artilheiros cujos gols deram título mundial à Alemanha.

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