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Ambev perde R$ 25 bilhões em valor de mercado hoje, uma “B2W” – Valor Investe

Ainda bem que é sexta-feira! Assim, os investidores da cervejaria Ambev poderão afogar as mágoas de um pregão inesquecível no happy hour (com moderação, claro). A empresa perdeu em um só dia mais de R$ 25 bilhões em valor de mercado, com os investidores reagindo mal ao fraco balanço do 3º trimestre divulgado nesta sexta-feira. Ao despencar 8,29%, a ação da Ambev derrubou seu valor de mercado de R$ 301,93 bilhões no fechamento de quinta-feira e para R$ 276,91 bilhões no fim do pregão de sexta, segundo dados da B3 compilados pelo Valor Data. A ação ordinária (com direito a voto em assembleia de acionistas) acabou fechando em R$ 17,60 cada uma.

O montante evaporado de um dia para o outro R$ 25,02 bilhões é maior que o valor do mercado da varejista B2W, dona da Americanas.com e do Submarino, que fechou este pregão valendo R$ 24,76 bilhões, e também é maior do que a fatia da petroquímica Braskem negociada em bolsa, que equivale a R$ 22,5 bilhões.

Com isso, a Ambev também perdeu o posto de terceira empresa mais valiosa da bolsa para o banco Bradesco, que fechou hoje no valor de R$ 278,3 bilhões.

A justificativa é simples: resultados abaixo do esperado. Nesta manhã de sexta-feira, a cervejaria Ambev anunciou um lucro líquido de R$ 2,49 bilhões no terceiro trimestre de 2019. Até aí, ótimo, né? Deu lucro… Mas o problema são as tais das expectativas. O mercado esperava mais. E o próprio resultado veio 11,5% abaixo do lucro visto no terceiro trimestre de 2018, de R$ 2,82 bilhões.

As receitas subiram 8%, para R$ 11,9 bilhões, mas os custos de vendas subiram em um ritmo ainda maior, 19,7% para R$ 5,22 bilhões no terceiro trimestre deste ano, em comparação com R$ 4,36 bilhões um ano antes.

Leia também: Lucro líquido da Ambev recua 11,5% no 3º trimestre, para R$ 2,49 bilhões

Ao comentar os resultados da Ambev, a analista Luciana Carvalho, do BB Investimentos, afirmou em relatório, por exemplo, que os custos continuaram subindo devido à variação cambial, aos preços mais altos de commodities e à pressão inflacionária na Argentina.

E o volume de cerveja vendida no Brasil caiu 3%, abaixo do desempenho da indústria do país, que registrou aumento de um dígito baixo.

Para o próximo trimestre, permanecemos conservadores em relação aos aumentos no volume de cerveja no Brasil, dado o cenário ainda fraco para o consumo e ambiente competitivo ainda acirrado, diz trecho do relatório.

Leia também: BB Investimentos eleva preço-alvo de Ambev a R$ 21 e mantém recomendação neutra

O BB Investimentos aproveitou o dia para ajustar sua recomendação para o papel, passando o preço-alvo (o valor em que eles acham que a ação deve chegar) de R$ 20,00 para R$ 21,00. Mas manteve a recomendação dos papéis em neutro (não sugere compra nem venda).

Os executivos da Ambev deram entrevista hoje cedo como de praxe para explicar aos analistas o que aconteceu e dizer o que esperam.

Durante o papo, acompanhado pela repórter do Valor EconômicoCibelle Bouças, eles disseram que esperam melhora dos custos no quarto trimestre, por causa de ganhos com operações de proteção contra variação cambial (hedge).

Há expectativa de um alívio nos custos relacionados ao dólar no quarto trimestre, contribuindo de forma decisiva na desaceleração dos custos, afirmou Fernando Tennenbaum, diretor financeiro e de relações com investidores da Ambev.

A Ambev tem cerca de metade dos seus custos atrelados à variação do dólar. Em 2018, houve uma valorização importante do dólar ante o real que acabou gerando impactos nos resultados da companhia neste ano.

Nos nove primeiros meses do ano, esses custos subiram 23,1%, contribuindo para uma redução na margem bruta de lucro da companhia no Brasil de 5,4 pontos percentuais, para 57,2%.

Leia também: Heineken tem leve queda nas vendas de cerveja no Brasil

Outra coisa que pode ajudar nos próximos resultados é a venda de marcas premium, como Stella Artois, Corona, Original, Becks e Colorado Ribeirão Lager.

Segundo Tennenbaum, diretor financeiro e de relações com investidores, elas apresentam forte crescimento ao longo do ano, inclusive no terceiro trimestre – mas não disse de quanto.

Mesmo com o mercado mais instável, a categoria premium deve continuar crescendo, disse o executivo.

Ele ainda diz que a empresa terá muitas inovações neste ano e citou as que já foram lançadas no mercado, como a Skol Puro Malte, a Colorado Ribeirão Lager e a Skol Beats 150 BPM

A Ambev também espera bons resultados no quarto trimestre vindos do desenvolvimento de cervejas à base de mandioca, para competir no mercado de marcas econômicas com rótulos regionais. Já foram lançadas as marcas Nossa, Magnífica e Legítima.

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