Alunos de Vertentes inovam com pavers feitos de casca de castanha e avançam para a semifinal nacional
Na cidade de Vertentes, em Pernambuco, alunos da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Gil Rodrigues foram selecionados entre as 30 equipes semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow, uma iniciativa de Cidadania Corporativa promovida pela Samsung e coordenada no Brasil pelo Cenpec. O programa visa motivar estudantes e educadores da rede pública a criar soluções para problemas reais enfrentados pela sociedade, utilizando a metodologia STEM, que abrange Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Três alunos do segundo ano do ensino médio estão desenvolvendo o projeto intitulado ‘Pavers Sustentáveis a partir da Casca de Castanha de Caju’. A proposta consiste em transformar resíduos gerados no processamento da castanha de caju em matéria-prima para blocos de pavimentação. O objetivo é abordar simultaneamente questões ambientais na região e a demanda por materiais acessíveis para infraestrutura urbana.
João Paulo da Silva, professor orientador do projeto, comenta: “A região possui uma produção significativa de castanha de caju, e notamos que o descarte inadequado da casca prejudica o solo. Em visitas a comunidades e conversas com trabalhadores do setor, percebemos um problema ambiental que também representa uma oportunidade para reaproveitar esse resíduo. Assim surgiu a ideia do paver.”
A equipe se propõe a desenvolver e testar várias composições do material até encontrar uma formulação que ofereça as propriedades necessárias de resistência e funcionalidade. Os alunos também investigaram diferentes formatos, pesos, estruturas e acabamentos para criar um protótipo adequado à pavimentação.
Uma das inovações exploradas pelo grupo é a possibilidade de produzir os blocos sem recorrer ao uso de fornos convencionais, que são comuns na fabricação de certos materiais. Eles adotaram uma metodologia que utiliza luz solar durante o processo produtivo, buscando simplificar a fabricação e minimizar a necessidade de equipamentos específicos.
Além do reaproveitamento dos resíduos, os estudantes consideram como os pavers podem ser utilizados em sua própria comunidade. Eles planejam implementar os primeiros protótipos em uma calçada na escola e já elaboraram um projeto visual para uma praça que poderia ser construída com o novo material. A proposta também visa valorizar as pessoas envolvidas na cadeia produtiva da castanha, predominantemente composta por pequenos agricultores e trabalhadores locais.
“Quando apresentamos um problema real aos alunos, eles precisam combinar conhecimentos de diversas áreas para encontrar soluções. Para desenvolver o paver, eles aplicam conceitos de Química Ambiental, Física e Matemática, realizando cálculos sobre peso e proporções e analisando gráficos. A teoria se torna mais relevante porque está ligada ao que eles estão criando com suas próprias mãos,” ressalta João Paulo.
O projeto também proporcionou aos alunos uma visão mais ampla sobre os impactos da atividade de processamento da castanha nas comunidades locais. Durante as visitas e diálogos com produtores, identificaram outros desafios relacionados ao descarte dos resíduos e começaram a pensar em iniciativas que valorizem a produção local. Uma dessas ações inclui a elaboração de uma proposta legislativa para fortalecer os pequenos produtores e incentivar o apoio das instituições públicas.
