Início Esporte 5 motivos para não gostar do elogiado filme do Coringa

5 motivos para não gostar do elogiado filme do Coringa

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

16/10/2019 16h25

*** AVISO: O texto abaixo possui alguns spoilers.

Querido leitor, já prestigiou o filme do Coringa? O mundo inteiro está animadíssimo com a performance de Joaquin Phoenix nessa versão mais crua e visceral do palhaço do crime. Com um Leão de Ouro no bolso e acumulando recordes de bilheteria, é evidente que a produção está recheada de méritos. Mas nem tudo é motivo para sorrir.

Neste documento, elenco algumas razões para desgostar da obra dirigida por Todd Philips.

Protagonista sem sutilezas

A incensada atuação de Joaquin Phoenix é sem dúvida o grande atrativo do filme. Significa dizer que é espetacular? Nem tanto. Qual a real dificuldade em interpretar um personagem como este Coringa? Trata-se de um ‘louquinho de praça’, completamente perturbado, sem qualquer nuance.

A única coisa que diferencia Arthur Fleck de um Joselino Barbacena da Escolinha do Professor Raimundo é o instinto assassino. Claro que o ator está ótimo, mas o desafio colocado pelo roteiro é ínfimo. A magreza excessiva e os tiques causam espanto, mas existe pouca coisa além disso.

Temática rasa

‘Coringa’ finge tratar de questões importantes, como a invisibilidade dos desassistidos, mas na verdade é um emaranhado de breves citações sobre problemas sociais para dar algum verniz a uma trama simplória. Não há um mínimo de imersão no debate, nem mesmo levanta-se qualquer tese sobre o que é mostrado na tela.

O fato do Coringa ir até as últimas consequências não quer dizer que o tema tenha sido tratado de maneira profunda —muito pelo contrário.

Infantilização da abordagem adulta

A violência surge de maneira quase pornográfica, contextualizada por um fiapo de história. Durante muito tempo, essa foi também uma alavanca da indústria dos quadrinhos para colocar o selo de “adulto” em qualquer gibi e vender mais.

A tentativa era de cativar a audiência mostrando personagens originalmente criados para um público infantil, como o palhaço inimigo do Batman, em um contexto inusitado: “nossa, você viu o que eles fizeram com o Coringa?” Levou anos até que os gibis superassem a fase da violência como chamariz e buscassem abordagens realmente maduras para seus protagonistas.

‘Roteirismo’ preguiçoso

O começo da jornada de Arthur chega a lembrar a música do Homem-Aranha: “nunca bate, só apanha”. Mas em vez de ser picado por um inseto radioativo, o palhaço ganhou seus poderes graças a um revólver presenteado por um colega de trabalho —totalmente do nada, sem qualquer justificativa coerente. Boa parte dos acontecimentos do filme são concatenados quase que por magia.

O espancamento sem lógica no metrô que leva aos primeiros assassinatos não se sustenta, assim como a súbita bisbilhotice sobre a carta da mãe para Thomas Wayne depois de tantos anos de correspondência, além da apresentação de stand-up viralizando magicamente em um período pré-internet. O superpoder do Coringa é promover uma eloquente suspensão da descrença no público.

Direção deslumbrada

Os realizadores do filme parecem o tempo todo terrivelmente orgulhosos do que estão fazendo. A evidente homenagem a filmes do Martin Scorsese dos anos 70 fez com que chegassem a acreditar que era, de fato, algo com qualidade equiparável. Passou longe. Apesar da bonita embalagem, tudo é vazio. Algumas cenas soltas são especialmente incômodas, como quando Arthur é demitido e resolve pichar uma placa na saída do escritório —dá a impressão de algo pensado para fazer sucesso no Tumblr em 2015.

Aliás, GIFs animados de Heath Ledger em Cavaleiro das Trevas devem ter sido uma das principais referências para todo o clima do filme. Só esqueceram de dedicar mais tempo ao estofo de tão bela mobília.

Violento, pesado e desmiolado, o filme do Coringa impressiona pela falta de vergonha, mais ou menos como um mágico de rua. Deixo meu alerta: é truque!

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Chico Barney

O próximo filme do Batman ainda não tem elenco fechado, tampouco roteiro finalizado. Mas está previsto para estrear nos cinemas de todo o planeta em junho de 2021.

Chico Barney

Must Read

Recife Antigo ganha novo restaurante com assinatura de badalado Chef, em Rooftop com vista 360º, no empreendimento Moinho Recife

Paella, frutos do mar na brasa, drinks, sobremesas exclusivas, carta de drinks autorais, loja de vinhos e muita música ao vivo. Com uma proposta...

Por Croácia x Brasil na Copa, Governo de Pernambuco decreta ponto facultativo na sexta-feira (9)

Seleção joga pelas quartas de final do Mundial do Catar O Governo de Pernambuco decretou ponto facultativo para a sexta-feira (9), dia em que o...

STF começa a julgar orçamento secreto nesta quarta-feira (7), sob pressão do PT e do Congresso

Cúpula do Legislativo tenta convencer ministros da Corte pela manutenção das emendas de relator, enquanto petistas defendem fim do modelo para reduzir poder do...

Raquel e Priscila convidam os 184 prefeitos pernambucanos para encontro em Caruaru

A governadora eleita, Raquel Lyra (PSDB), recebe em casa, na tarde desta quarta-feira, os prefeitos dos municípios pernambucanos. Independentemente de partido, os 184 chefes...

Paula Delai orienta como driblar a Covid-19 durante a Copa do Mundo

A Copa do Mundo é o evento esportivo mais assistido e prestigiado em todo o mundo, que envolve muita confraternização das torcidas, podendo gerar aglomeração...